quarta-feira, 18 de junho de 2014

Conto: Energia sugada e restaurada (A Sucubo)

Dei um cochilo...

De repente eu sentia tudo, mas não conseguia me mexer, nem abrir os olhos, nem falar...
Respiração fraca, senti como se minha língua estivesse inchada...
E fiquei aflito ao não poder me mexer...
Depois de muito esforço, e desistência, minhas forças foram voltando devagar, e pude levantar a cabeça, depois o braço esquerdo...
E agora todo o resto...
E meu corpo só se mexeu após ela me mandar uma mensagem...

"Estou com saudades", dizia a mensagem.

Paralisia temporária, ou energia sugada? Qual o poder que ela tem sobre mim?

Outro dia, me disseram que ela seria uma Súcubo, e que estaria coletando a minha energia de alguma forma. Não queria acreditar, mas, o que viria a acontecer desde então, me faz começar a repensar o caso...

Tudo começou quando a conheci. Ela era bonita, e me chamou a atenção, mesmo não sendo a beleza de uma modelo, ou de alguma atriz. Ela tinha uma beleza própria, um brilho nos olhos, um sorriso que me cativava. Era uma garota normal, pelo menos é o que eu achava.

Eu nada sabia sobre ela, mas, quando trocamos as primeiras palavras, parecia que nos conhecíamos há muito tempo. Meu coração começou a sentir algo forte, que há tempos eu não sentia.

Seria uma nova paixão, neste coração duro e enferrujado? Seria uma grande amizade que estaria nascendo?

Cada momento conversando com ela, eu me sentia mais atraído, a cada palavra que eu ouvia da voz dela, meu corpo ia amolecendo, meu sorriso ia se abrindo, como nunca se abriu antes. Eu me sentia jovem outra vez. Não via o tempo passar, quando estava com ela.

Com o passar dos dias, fomos nos abrindo um pro outro, sobre coisas pessoais. As minhas, sei que eram reais, e que normalmente eu não deixava ninguém saber, mas, com ela, tudo parecia tão natural. As coisas dela, eu acreditava, pois ela falava com muita convicção.

Desde o dia em que a conheci, passeia  ter sonhos com ela. sonhos muito reais, como se ela estivesse mesmo ali, ao meu lado, durante cada sonho. Geralmente, ela aparecia em meu quarto, seja pra conversar, seja para apenas olhar, mas eu acordava me sentindo revigorado, como se estivesse novo em folha.

De repente, uma tarde, senti como se meu coração estivesse partido. Aquele sentimento de quando levamos um fora de alguém que gostamos por tanto tempo e finalmente tomamos coragem e nos declarar, e recebemos um "Não". Porém, não havia acontecido anda disso, para eu sentir aquela dorzinha no peito, e aquela vontade de chorar.

Resolvi me deitar. Eram 14h, mas, o ar do dia pareciam ser mais de 18h. Cochilei de tarde, mas, ao acordar, meu corpo não se mexia, eu sentia minha língua como se estivesse inchada, como um defunto no caixão. Meu corpo, eu sentia, mas, não mexia. Não havia como mexer, era como uma das famosas "Paralisias do Sono", quando acordamos, mas, o corpo não reconhece que acordamos.

Estava eu ali, deitado. Meus olhos parados. Meu corpo parado. A aflição, a agonia... Aonde estava a minha energia. Eu sentia que havia uma presença por lá, mas, não sabia se havia mesmo alguém. Comecei a sentir que não estava mais em meu corpo. Em certo momento, comecei a sentir que estava saindo do meu corpo.

Toca meu celular. Sinto como se estivesse "vestindo" minha alma com uma roupa (meu corpo), abro minha boca, meus olhos, aos poucos meu braço esquerdo volta a se mexer, e dou um tapa na minha perna pra ver se ela está lá, e pulo da cama. Era uma mensagem dela...

"Estou com saudades"...

Ao ler aquela mensagem, fiquei intrigado. Eu sentia como se aquelas palavras fossem em tom de deboche. Estavam apenas escritas, mas, era como se eu sentisse que ela mandou aquilo com outra intenção. Meu corpo era escravo dela. Mas, afinal... Será?

Dudjinka

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PORTA CURTAS - Festival do Rio 2009