sábado, 30 de agosto de 2014

Queria um amor [poesia]

Queria um amor, mas, não um amor qualquer...
Alguém por quem eu me apaixonasse todos os dias novamente,
como se fosse a primeira vez!
Alguém que me esquentasse o coração,
tirando o frio da solidão...

Queria encontrar alguém que estivesse sempre ao meu lado,
que sentisse saudades de mim, e pudesse me acompanhar,
não importa aonde, como ou quando!
Alguém que fosse á teatro, cinema, programas de auditório, gravações,
não importando o que aocntecesse, sempre comigo!

Sinto falta de uma companheira especial,
alguém que me abraçasse sempre que eu precisasse,
que tivesse um carinho especial por mim,
que se sentisse livre, leve e solta só de estar comigo!

Queria alguém que se sentisse feliz em estar comigo!
Queria alguém que eu me sentisse feliz estando com ela!
Queria ser parte de um casal, e não a vela!
Queria poder ascender sem deixar nada para trás!

Queira alguém que pedisse desculaps quando errasse,
e que me desculpasse pelos meus erros quando eu os cometesse...
Queria alguém que quisesse evoluir comigo,
e me ajudasse a evoluir com ela!

Eu só queria ter alguém que me fizesse sorrir mesmo nos piores momentos,
que me fizesse ficar despreocupado com coisas fúteis,
que me abrisse os olhos, abriria os braços
e me abraçasse sempre como se fosse o último, todos os dias!

Queria alguém que me desse um pouco de atenção e carinho,
que gostasse de ter a minha atenção,
que fizesse minha alma ir á outra dimensão,
que de tanta felicidade me parasse a circulação!

Precisava de alguém que me enchesse de felicidade,
mudasse meu rumo, me fizesse voar;
alguém que simplesmente por existir me fizesse ser completo,
uma garota que sempre esperei, e continuarei a esperar até o fim...

Sinto que já estou chegando ao fim,
mas ainda aguardo pela pessoa tão esperada...
E pensar que eu já posso tê-la perdido simplesmente pelo medo,
e ela estar já muito longe, espiritualmente de corpo, alma e coração...

Talvez ela me ame e me espere,
talvez tenha me amado, e está com outro pra esquecer;
talvez não esteja mais viva,
ou somente acabe de nascer...

Acho que cansei de esperar...
Espero que na próxima vida, eu a encontre

Henrique Takimoto Jasa
segunda-feira, 5 de abril de 2010

Vou... [poesia]

VOU...

Vou me afogar em bebidas...

Vou me atolar em dívidas...
Vou me jogar de um penhasco...
Vou mergulhar perto de tubarões famintos...
Vou me prender dentro de um míssel nuclear perto do momento da sua explosão...
Vou me jogar em mar de ácidos...
Vou fumar todas de uma só vez...
Vou beber veneno em galões...
Vou injetar todas as seringas que puder...

...E no final de tudo, vou acordar ao teu lado, ver nossa certidão de casamento, olhar para nossos filhos, e ver que foi tudo um pesadelo essas atrocidades que sonhei, e que minha vida está perfeita por estar com você, formando uma família de verdade!


- Henrique Takimoto Jasa (24/7/2011)

Alma Corsária [poesia]

ALMA CORSÁRIA(homenagem ao falecido amigo e mestre, Carlos Reichenbach)

Ah, alma corsária, que de longe, me vem á vida;
Ah, vida ordinária, vivendo de bem, e de bem que se vive!
Alma de um homem, que tem muitas vidas,
porém, perde a única que realmente tem;
Oh, vida corsária, alma dividida entre amores e saudades.

Livre, leve, suave coisa... Suave coisa nenhuma!
 Me leve com você, até onde tiver de ser!
Conheça a quem te necessita,
desconhecendo o que não mais precisa!

Voe com asas, de penas e imaginação,
Rubro vento, suave e doce, remédio da solidão;
Me leve para o mar, e até onde estiver,
para cima, para dentro, e até onde mais puder ser.

Reine a paz interna, me leve ao nirvana,
jorre o vinho tinto deste corpo viajante;
Faça parte de mim, ó vida eterna,
enquanto nada deter meu semblante!

Henrique Takimoto Jasa
quarta-feira, 4 de julho de 2012

(In)finito (Des)apego [poesia]

(In)finito (Des)apego

Querer se apegar,

sabendo que jamais terá;
Desapego transitório,
pois um dia acabará.

Questões de corpo e alma,
relações que dão para trás;
Desapego ao infinito,
apego ao que acabará.

E a tristeza do fim,
mas continua o apego;
a alegria do começo,
vivendo a vida, só vivendo.

Energia contida,
terminada em explosão;
infinito desapego,
para não ficar na mão.

Para dentro, para fora,
pois o tempo é agora!
Frágio espaço improvisado,
ao final se apagará.

Uma rosa e uma maçã,
desejo inconstante;
apego ao desejo,
em desapego material.

Um beijo pela manhã,
sentimento variante;
destas notas vem o arpejo,
de uma vida trivial.

Infinito Desapego,
para o bem ou para o mal.
Acabou o desespero,
pois chegamos ao final.

Henrique Takimoto Jasa
quinta-feira, 5 de julho de 2012

Broken Dreams [poesia]

Broken dreams
Sonhos, desejos, vontades...
Não vivo sem estes anseios...
Viajo por toda eternidade
Buscando abrigo em meus devaneios.

Nada me impede de partir pra bem longe,
Não mais, agora...
A dor que fortalece e tonteia
Me empurra através do mundo lá fora.

Cansado e sozinho, pra sempre me vou;
Buscando carinho no que me restou;
Perdido e sozinho, caminho sem rumo;
Polido e servido, na névoa eu sumo.

Saudades? Pra quê? Do quê? De quem?
Vivi o que tinha de ter vivido,
Já não há mais novidades pelo meu caminho;
Talvez eu pudesse ter sido socorrido,
Mas já não dá mais, meu caminho é sozinho...

Cansado e acabado, mas ainda não fui vencido;
Humor destroçado deste doido varrido;
Pois vivido na vida que tanto anseei,
Ao fim ter chegado, ao início voltei.

Está tudo acabado, passado, finito;
Passado estragado de um sonho bonito.
Não vejo a hora da aventura acabar,
E poder finalmente chegar a descansar.

texto: Henrique Takimoto Jasa
domingo, 15 de setembro de 2013

Hurricane Life

A vida é como um furacão,
Deixa pelo caminho tudo bagunçado;
Tem gente que vem pra ficar,
Tem horas que somos deixados de lado.
 
São tantos momentos, que não dá pra parar;
Quase nunca temos paz e tempo pra descansar.
Ilusões e realidade se misturam num passe de mágica,
Enquanto estamos ali a toda hora nos redescobrindo.

Não adianta negar, o amor nos move,
A paixão nos carrega, e a vida nos prega peças.
Já estava na hora de viver o meu momento,
Saborear minhas vitórias, unido ao meu grupo.

Chegou a hora da decisão,
Sobre qual caminho tomar;
Já tenho uma clara visão
De qual escolha clamar.

Corri e lutei tanto para chegar até aqui,
Já não posso mais desistir;
Continuo saboreando cada momento,
Para no final ser feliz, e não apenas "existir".

É chegado o momento desta luta acabar,
Meu troféu cheio de histórias logo virá para mim...
Não aguento a ansiedade, e o medo do fim,
Pois o fim está próximo, em meu espaço de amar...

texto: Henrique Takimoto Jasa
terça-feira, 17 de setembro de 2013

A rota secreta da história de uma vida

A rota secreta da história de uma vida
Sempre aprendi muito com a vida. Altos e baixos, momentos bons e ruins, situações que mudaram meu destino. Mas, olhando para trás, vejo uma enorme estrada, cheia de desvios, caminhos diferentes, e consigo notar que segui uma rota, que formava um desenho diferente.

Quem diria que um dia eu chegaria aonde estou, da forma que cheguei, passando por tudo que passei, não?

Ao invés de escolher os "caminhos fáceis", como jogar futebol para entrar em algum time, e ficar milionário até quebrar os ossos e me tornar um inútil cheio de filhos e devendo até as cuecas, como muitos tentam, ou da política, aonde se esconde dinheiro na cueca, ou mesmo pseudo-comediantes, que usam de piadas ruins e de baixo calão para ganharem rios de dinheiro de um povo que ri de qualquer coisa sem graça e não curte a comédia real, botando quase como deuses e com "comendas" sem sentido, eu preferi me jogar ao mundo da honestidade, aonde é mais difícil sair da pobreza, e poucos assim o fizeram.

Enquanto todos sempre pulam pro recheio, vou comendo pelas bordas, de pouco em pouco, traçando o meu caminho. Muitas vezes, se esquecem da existência da borda recheada, e lá estou eu, aproveitando bem o sabor dela.

Ah, o mundo não está preparado para evoluir. Ou melhor, o planeta está, mas, sua população humana é que não está. Logo as coisas irão mudar, os pensamentos, os costumes, como sempre aconteceu. O que antes era certo, hoje é errado, lá pra frente pode ser que ambos estejam certos ou errados, nunca se sabe. Só saberá quem viver até lá.

Tracei um caminho árduo, sem certeza de chegar até o final, mas, lutando pelo que acreditava, sem pisar em ninguém. Muita gente pisando em mim, e eu ali, me levantando sempre que era derrubado. Forte, eu? Talvez não, apenas persistente.

Dizem que brasileiro não desiste nunca, mas, já vi a maioria desistir rápido demais. Eu não poderia me considerar brasileiro, ainda mais depois de declarações de pseudo-artistas dizendo que TODO BRASILEIRO gosta de... (aí, entram palavras de coisas que eu não gosto, e jamais gostarei). Como eu poderia ser brasileiros e TODO BRASILEIRO gosta de tudo que eu não consigo gostar?

Não sou de lugar nenhum, não sou brasileiro, não sou estrangeiro. Sou de lugar nenhum, e nenhum de nós tem lugar para ir, nem de onde vir.

Quem sou eu?
Não há definição!

SOU A LIBERDADE!
texto: Henrique Takimoto Jasa
segunda-feira, 23 de junho de 2014

Beware of the Sword

Beware of the sword
座頭市

Spenting my life in a swrod of steel
Rolling around like a thunder wheel
Spreading the world to my strange face
But I cannot defeat the worst menace

Myself against the world
The world against me
My soul will never be sold
because only you can have me

There's nothing I can do
to make the world a better place
All I can try by now
is to be Strong, face to face

I'll fight 'till the end
any shadows, they'll be dead
Let me face you and embrace
my destiny is my fate!

by: Henrique Takimoto Jasa (3/7/2014 - 10h30 am)

Minha vitória [poesia] - de Henrique Takimoto Jasa

Minha Vitória

Aqueles olhos que brilham e me fazem sorrir,
Aquelas letras bonitas que me fazem sonhar,
Aquela surpresa tão grande que me faz suspirar,
Aquele gesto tão simples, e eu não sei como agir!

Espero que a luz no fim do túnel não seja apenas ilusão,
pois nada será capaz de apagar minha história;
E que a escuridão não traga más notícias,
apenas conforto e descanso ao meu coração.

O tempo, o vento, a inspiração;
cenários de uma grande paixão!
Ela é poesia, beleza e espírito,
é aconchego e paz para mim.

A dor, o alívio, a paz;
minha vida está em suas mãos!
Você cura as minhas feridas,
me fazendo feliz, tanto assim.

Há de chegar o momento
em que nossas vidas irão se cruzar;
Preciso acabar com o tormento,
e minha alma poder acalmar.

(29/8/2014 - meia noite)
texto: Henrique Takimoto Jasa

domingo, 24 de agosto de 2014

Poesia Etílica

Poesia Etílica...

Absinto.
Hoje não quero
café,
hoje só quero
absinto.

Quero perdê
o chão, quero
ser ridículo...


Dalson Ricardo Cardoso Barbosa

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

ラブストーリー - When everything needs to end, but only starts again and again!

奇妙な愛の物語

Ela disse que o amava, mas que não podia ser dele. Ele a amava, e não podia estar com ela. Ambos estavam livres, desimpedidos, e suas famílias se gostavam. Nada os impedia de ficar juntos, exceto o medo que ambos tinham.

Ele sofreu, ela sofreu. Ele teve pesadelos, ela os tornou realidade. Ela não queria fazê-lo sofrer, mas, cada ato dela, piorava para ele. Ele não queria mais amá-la, mas seu coração o obrigava a continuar.

Juntos eram indestrutíveis, separados, eram fracos. Tinham a maior amizade que poderia existir, faltava apenas deixarem florescer o amor.

Fatos, distorcidos pelas palavras de terceiros quase os separaram, várias e várias vezes, muitos tentaram os separar. Se afastavam por um tempo, mas, algo sempre os unia novamente; não havia nada que os separasse definitivamente.

Por dentro, se amavam, por fora, demonstravam sem querer, até mesmo, sem perceber. Todos á volta notavam, menos eles. Parecia um amor impossível, mas, era mais possível e próximo, talvez até mais "inevitável" do que eles imaginavam...

Qual será o final desta história? Somente o tempo dirá...

ass: Henrique Takimoto Jasa (Yatta) - publicado originalmente quinta-feira, 10 de julho de 2014 no meu blog pessoal

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

A Moto

A Moto

 Era fim de tarde, o crepúsculo brilhava de rubro vermelho os céus, logo a temperatura caia fazendo um pouco frio, mas o sol brilhava seus últimos instantes no céu. O céu estava limpo podendo ser vista as nuvens encarneiradas podia-se ver nitidamente um avião ao alto por entre elas.

Aquele friozinho arrepiava minha nuca forçando-me á entrar em casa mais cedo, aproveitei e comecei a ler um ...livro cuja leitura eu adiara por muito tempo. Subitamente meu cachorro começou a latir, eu não conseguia me concentrar na leitura. Lá fora um som do escapamento de uma moto atordoava toda a minha concentração.

Olhei por uma fresta da janela de minha cozinha e então vi a roda de trás de uma moto acelerando bem na frente do meu portão.- Bolas! Pensei comigo mesma, por que este chato tem que acelerar justamente na frente da minha casa? A moto começou lentamente a andar para trás, eu finalmente ia ver quem era o sujeitinho inoportuno que estava nela.

Naquele instante meus dedos ficaram rígidos na janela, meu coração está gelado e meus olhos encheram de água. O arrepio do medo agarra meus cabelos como um imã. Não tinha ninguém na moto. Ela simplesmente virou a direção, acelerou e foi embora, diante dos meus olhos... Uma moto andando sozinha, ou guiada por um espectro invisível vindo não sei de qual dimensão... Quem acreditará em mim??
 
texto: Dalson Ricardo Cardoso

O Espectro

O Espectro

 O relógio corre rápido, afinal o amanhã será um dia cheio e aqui estou eu, deitado em minha cama, buscando repouso e imerso em pensamentos confusos no entardecer.

 Minha mente divaga sobre os mistérios, existirão fantasmas? Haverá vida após a morte?

 Os últimos raios do sol penetram pela janela do meu quarto, não há ninguém aqui em casa, apenas eu.

 Esses pensamentos mórbidos assolam minh...a mente, não sei por qual razão penso nisso agora, estou tão confusa...

 O único som que ouço são as batidas do meu coração, agora mais forte, mais forte, penso comigo mesmo, o que eu faria se visse um fantasma? Se o sobrenatural me tocasse, mesmo que por apenas um instante... Como eu reagiria?? Como você que está me ouvindo reagiria?
Olho para a porta do meu quarto, as trevas avançam rapidamente, o crepúsculo se vai dando lugar as sombras da noite.

 Meu Deus!!!! Está ali!!! entrando pela porta, uma mulher, com o vestido vermelho, ela vem em minha direção sem emitir nem um barulho, seus pés não tocam o chão, pois ela não tem pés, apenas flutua, ela vem em minha direção, meu coração estremece, bate assustadoramente. Dos meus olhos escorrem lágrimas de medo. Ela apenas vem em minha direção. Isso é o suficiente para gelar minha alma como em um tétrico pesadelo.

 Some com a rapidez que apareceu.

 Nunca mais quero pensar em fantasmas novamente.
texto: Dalson Ricardo Cardoso

domingo, 27 de julho de 2014

Wilson de Oliveira Jasa [poesias] - Henrique Takimoto Jasa

HENRIQUE TAKIMOTO JASA

Grande Henrique Takimoto
Jasa, cantor e poeta;
ator e compositor,
que nos versos se completa;
tem poemas bem escritos,
de qualidade seleta. (26-12-2013)

HENRIQUE TAKIMOTO JASA (2)

Grande Henrique Takimoto
Jasa, cineasta e poeta;
cantor e compositor,
tem sonhos e também meta;
e deve seguir em frente,
pra vitória ser completa. (22-05-2014)

HENRIQUE TAKIMOTO JASA (3)

Viva o Henrique Takimoto
Jasa, cantor e poeta;
que é também compositor,
música e verso o completa;
quer viver cada seu sonho,
pra isso cumpra cada meta. (12-06-2014)

HENRIQUE TAKIMOTO JASA (4)

Poeta Henrique Takimoto
Jasa, tem no coração;
um sentimento fraterno,
muitos sonhos e ilusão;
e pra chegar onde quer,
sonhe com os pés no chão. (12-06-2014)

(Poeta WILSON DE OLIVEIRA JASA)

domingo, 6 de julho de 2014

Alguma Coisa Lá em cima (de Dalson Ricardo Cardoso)

Espero que goste!!
Alguma coisa lá em cima

Eu moro em um prédio perto de uma faculdade de São Paulo. É um prédio pequeno de dois andares com vários apartamentos pequenos de um dormitório cada em cada andar, incluindo o térreo, que o dono aluga exclusivamente para estudantes, de São Paulo e do interior. Todos do prédio se conhecem e são bem amigos. Esse prédio não tem elevador, já que só tem dois andares. Na verdade... existe um terceiro andar, mas só tem uma sala enorme que é usada como depósito.

E é nesse depósito que se encontra o fantasma do prédio. Se bem que fantasma não estaria muito certo, está mais para demônio. O prédio tem várias regras, mas a que se da mais ênfase é "NÃO ENTRAR NO DEPÓSITO DO TERCEIRO ANDAR, NEM SE QUER ABRIR A PORTA" Ninguém sobe lá em cima.

Aparentemente essa entidade, fantasma ou demônio (o que você preferir) deu uma dor de cabeça boa por muito tempo, até que alguém conseguiu "trancar" ele lá em cima no terceiro andar. Parece que foi um residente que ficou aqui por um tempo, e dizem que depois que ele "trancou" o demônio lá em cima ele falou que ia embora e que não voltava para o prédio. Ele cortou completamente o contato com os amigos que ele tinha feito aqui e hoje em dia ninguém sabe onde ele está.

O zelador raramente entra lá dentro do depósito, só quando ele realmente precisa ir lá. E quando ele vai, ele não demora mais do que alguns minutos. Ele entra correndo e sai voando de lá de dentro.

Como nesse prédio é todo mundo estudante eu sempre pensei que era mais uma história só para assustar os mais novos ou para assustar o pessoal que chega do interior (o que é bem comum aqui), até o dia que eu estava estudando com um cara que mora no segundo andar. O quarto dele fica bem em baixo de onde está o depósito. Nós estávamos lá quietos, estudando, quando eu comecei a ouvir barulhos no andar de cima.
Eu olhei para ele e falei "eu achei que o Silva (o zelador) tinha viajado essa semana" ele olhou para a minha cara e falou "o Silva viajou" ai eu falei "e quem está no lugar dele?" "ninguém, não tem ninguém cobrindo ele" ai eu parei, pensei um pouco e arrisquei "e quem está lá em cima no depósito?" O meu amigo parou de ler o livro, olhou para a minha cara e falou "Não é quem, é o que." Eu falei para ele poder esquecer aquele papo de demônio no depósito que comigo não colava, ele perguntou quem podia ser, se só o Silva tinha a chave de lá e ele estava viajando. Ele falou que se eu estivesse pensando que era rato ou gato que era para prestar atenção no som. Era o som de algum a coisa grande andando, e de vez em quando arrastava alguma outra coisa. O que era realmente verdade. O que fazia aquele som não era nenhum rato ou qualquer outro animal. Ele falou que já tinha reclamado com o Silva do barulho, que as vezes acordava ele no meio da noite, mas o Silva falou que não podia fazer nada. O meu amigo pediu para o SIlva levar ele até lá em cima, para ele mesmo ver o que era. Ele encheu tanto o Silva que ele acabou levando o meu amigo. Quando o Silva abriu a porta, o depósito estava completamente gelado. Dava para ver a respiração saindo da boca, e era verão! O meu amigo perguntou se tinha algum ar condicionado ligado lá dentro e o silva falou que não, e que quando tava frio assim era bom não deixar a porta aberta. Quando o Silva estava fechando a porta, o meu amigo conseguiu dar uma última olhada lá dentro, e ele jura que viu uma sombra escura lá no fundo, indo na direção da porta. O Silva trancou a porta e foi embora enquanto ele ficou mais um tempinho lá para ver se ouvia algo. Quando ele estava virando para ir embora, ele viu a maçaneta da porta girar bem devagar, como se tivesse alguém testando para ver se a porta estava destrancada. Depois que ele viu isso ele saiu correndo e nunca mais voltou lá para cima.
Eu já perguntei para o Silva, e ele não gosta de falar sobre o que tem lá dentro. É muito difícil conseguir fazer ele falar alguma coisa sobre o assunto. A única coisa que ele repete sem parar é "não é para ninguém ir mexer lá em cima."

Eu tenho mais algumas histórias sobre esse "demônio", mas eu só vou contar mais uma agora. É sobre uma garota, que morava aqui antes de "trancarem" o coisa ruim lá em cima. Parece que ela morava no apartamento que ficava bem de frente para a escada que sobe para o terceiro andar. Numa noite de sábado, quando quase todos do prédio tinha saído para se divertir, só ela e mais alguns poucos ficaram lá. Ela estava no computador fazendo um trabalho quando ela ouviu passos pelo corredor. Nada de anormal, ela não era a única que tinha ficado no prédio. Mas então bateram na porta de um dos apartamentos vazios. Ninguém atendeu. Bateram na porta de outro. Também não tinha ninguém. Foram batendo de porta em porta (ela era a única pessoa do segundo andar que tinha ficado). A essa altura ela já estava meio assustada achando que podia ser ladrão. Então bateram na porta do lado do apartamento dela. Ela ficou olhando para a porta, esperando baterem na porta dela, mas ao invés de baterem, ela viu a maçaneta girando. Ela estava com o coração na boca, e então bateram na porta. Mas não foi como a batida dos outros. Nos outros apartamento parecia só que tinham batido com os nós dos dedos, na porta dela parecia que estavam dando chutes com uma fúria incrível. A porta tremeu completamente. Ela correu para a cozinha. Da cozinha ela podia ver a porta da frente. A luz lá fora estava acesa e ela podia ver a sombra dos pés de alguém pelo vão que tinha embaixo da porta. Um tempo passou e quem quer que fosse ainda estava lá. Ela resolveu olhar pelo olho mágico quem era, na esperança que fosse alguma brincadeira idiota de alguém do prédio.
Quando ela olhou, ela viu uma sombra escura e disforme na frente da porta dela, que tinha dois olhos vermelhos. Quando ela começou a olhar, a sombra estava longe da porta, quase na escada. Então ela começou a se aproximar, como que se soubesse que a garota estava lá na porta olhando ela. A garota soltou um grito que chamou a atenção do prédio inteiro. O pessoal que tinha ficado aqui saiu correndo para ver o que era, e encontraram a porta aberta, com a garota desmaiada no chão, com duas marcas roxas nos pulsos dela, como se alguém tivesse agarrado ela com muita força. Ela falou que só lembra de ter visto a sombra se aproximar da porta e de gritar. Depois disso ela só lembra de estar todo mundo do lado dela no apartamento. Sem falar que ela estava com a porta trancada e com a correntinha, e não tinha sinal nenhum de entrada forçada. No dia seguinte ela foi para a casa de uma prima dela que mora aqui em São Paulo e só voltou para cá para pegar as coisas dela.

Depois disso que o tal cara "trancou" de algum jeito o demônio no depósito. Eu nunca cheguei a ver nada, a não ser uma vez que eu dei uma de curioso e subi para o terceiro andar para ver se via alguma coisa. Quando eu encostei na porta ela estava completamente gelada, como se fosse a porta de um freezer industrial. Eu sai correndo de lá na hora.

E é isso. Essa é a minha história. Mesmo não tendo visto o fantasma, demônio ou entidade (de novo, o que você preferir) eu já tive provas o suficiente de que realmente tem alguma coisa naquele depósito. Eu não sei o que, mas tem alguma coisa lá em cima.

O ASSALTO (de Dalson ricardo Cardoso)


O ASSALTO

“Cadê o Geral, cadê o Geraldo?”. Escuto meu nome ser proferido aos berros do lado de fora da minha porta, mas não entendo por quê. Levanto e vou até a porta, para ver do que se trata. Abro a porta, saio confuso e sinto algo gelado forçando minha têmpora direita. Na minha frente está minha secretária ajoelhada e um homem de capuz preto na cara, que segura uma arma contra a nuca dela. Ain...da sem entender o que acontece, olho pra direita pra tentar achar a coisa que incomoda minha cabeça: é outra arma, outro bandido de capuz preto na cabeça. Ele diz "Ajoelha" pra mim e minhas pernas obedecem antes da cabeça mandar. "Tu que é o Geraldo?", ele grita, e antes de eu responder, Letícia de súbito diz que sim, que sou eu o gerente do banco e o único que pode dar o dinheiro que eles querem.
Tantos anos sendo minha secretária e nunca pensei que ela me trairia desta forma. O verdugo que a mantém genuflexa me olha e diz: "É ele", apertando em seguida o gatilho da arma que estava sobre a cabeça de Melissa: BLAM! O barulho seco do tiro abafado pelo crânio dela deixa o som das vozes abafadas, por alguns segundos só escuto um zunido. A luz intensa que sai do cano da arma deixa minha vista branca e o cheiro do sangue, da carne e da e pólvora me baixam a pressão instantaneamente.

Como cheguei até aqui? Esta é a vida que eu imaginei ter? Eu queria ser bombeiro. Era apaixonado por caminhões de bombeiros e suas sirenes, me imaginava de farda, combatendo o fogo. Sempre que brincava com meus amigos eu era quem salvava as vítimas. Depois pretendi ser médico, salvar pessoas, me tornar pediatra - ou geriatra -, resolveria problemas graves. Abandonei a ideia no segundo semestre da faculdade, mas foi lá que eu conheci meu primeiro e verdadeiro amor, Cíntia. Ela era linda, tão tímida que encantava qualquer um. Fazia enfermagem, só que sonhava mesmo em ser médica, pediatra ou geriatra. Foi aí que me apaixonei, mesmo que desapaixonara da medicina. Acho que permutei as paixões. Saímos algumas vezes até eu perceber que ela também estava apaixonada - apesar de eu ter desperdiçado um sonho que era dela. Comecei a estudar administração, pois ainda estava à deriva e não sabia bem o que iria fazer da vida após ter o sonho interrompido pela desilusão. Comecei estagiando em bancos, e fui aprendendo com meus amigos a praticar pequenos furtos. Me formei, fui efetivado em um grande banco, mas, depois que Cíntia descobriu meus planos de fazer um golpe grande, terminou nosso relacionamento e nunca mais nos vimos. Disse que não me conhecia, que eu não era quem ela pensava ser, um altruísta, filantropo, alguém ético e correto. Eu queria poder, dinheiro, posição, era e sempre fui ambicioso. Ela nunca entenderia, por ser inocente e ingênua demais. Esse é um mundo de Geraldos, não de Cíntias.

Por já ter certa posição no banco e conseguir muito dinheiro desviando aposentadoria de velhinhos, casei com a filha de um influente senador. Ele me promoveu a gerente do setor de empréstimos da maior agência do banco no estado, o que me deu margem para desviar grana grande. Foi uma maneira de o senador dar melhores condições de vida à sua filha, indiretamente. Contudo, apesar de estar feliz com minha vida financeira, nunca fui feliz com minha esposa arranjada. Ela também não deve ter sido, pois foi praticamente forçada a casar-se comigo. Tivemos apenas um filho, que parou de estudar quando foi para uma universidade na Holanda e agora é um drug dealer na zona vermelha.

Se arrependimento matasse… ou melhor, se arrependimento evitasse que a gente morresse como agora vai acontecer comigo! Eu viveria outra vida. Aliás, eu voltaria a viver a vida antes do primeiro desvio, antes do primeiro golpe, encontraria Cíntia e tentaria mostrar o que estou sentido agora, no momento em que estou para morrer. Diria que sinto novamente meu amor por ela, o quanto estive errado e como minha vida foi de fato da forma como ela prognosticou naquele dia em que nunca mais a vi.

Queria tanto não morrer agora, como Melissa, que foi sumariamente descartada por não ser quem essa gente procurava. É assim que um homem arrependido deve morrer, pelas mãos de assassinos frios que só querem dinheiro?

Recobro minha vista com um tapa na cara, e o sujeito me manda levantar. Querem que eu abra o cofre. Tento dizer que não tenho a chave, mas eles mostram saber mais da minha vida que minha própria esposa. Pego a chave codificada. Há cinco milhões de reais no cofre do banco. Com esse dinheiro eu poderia dar uma vida de rainha pra Cíntia, fazer dela a mulher mais feliz do mundo, pra que ela me fizesse o homem mais realizado. Pagaria sua faculdade de medicina, se ela já não fosse médica, e ela se tornaria geriatra, ou pediatra, e cuidaria de mim quando envelhecêssemos, e teríamos dois filhos com os olhos dela, uma casa de campo na serra, uma poltrona confortável à beira de uma lareira. Mas esse dinheiro agora não poderia mais ser meu, nem do banco, nem dos verdadeiros donos, pois os homens encapuzados (que conto por alto serem cinco, portanto um milhão para cada, o que seria justo, uma vez que assaltam juntos o maior banco do estado, cujo gerente é um dos homens mais sujos do país) agora vão levar sem nenhum esforço. Enfio a chave trêmula, giro e estalo! Trinta e dois pra direita, sessenta e cinco pra esquerda, estalo! Setenta pra direita, vinte e quatro pra esquerda, estalo! Trinta e nove pra direita e, e, e... e qual é a merda da última dezena? Cinquenta e cinco? Cinquenta e seis? "Vai duma vez, cacete. Droga, vou explodir essa merda", diz o mais impaciente deles. Ele olha pra mim com raiva, fecha o rosto. Reluz no vidro dos seus olhos um brilho intenso: BLAM! O brilho é do fogo da arma que ele apontava pra mim, e que agora empurra a mão dele contra seu corpo. O barulho da explosão ecoa entre minhas orelhas, e sinto um doce perfume misturado à pólvora e à fumaça: é o cheiro do sangue que me escorre pela face.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Conto: Energia sugada e restaurada (A Sucubo)

Dei um cochilo...

De repente eu sentia tudo, mas não conseguia me mexer, nem abrir os olhos, nem falar...
Respiração fraca, senti como se minha língua estivesse inchada...
E fiquei aflito ao não poder me mexer...
Depois de muito esforço, e desistência, minhas forças foram voltando devagar, e pude levantar a cabeça, depois o braço esquerdo...
E agora todo o resto...
E meu corpo só se mexeu após ela me mandar uma mensagem...

"Estou com saudades", dizia a mensagem.

Paralisia temporária, ou energia sugada? Qual o poder que ela tem sobre mim?

Outro dia, me disseram que ela seria uma Súcubo, e que estaria coletando a minha energia de alguma forma. Não queria acreditar, mas, o que viria a acontecer desde então, me faz começar a repensar o caso...

Tudo começou quando a conheci. Ela era bonita, e me chamou a atenção, mesmo não sendo a beleza de uma modelo, ou de alguma atriz. Ela tinha uma beleza própria, um brilho nos olhos, um sorriso que me cativava. Era uma garota normal, pelo menos é o que eu achava.

Eu nada sabia sobre ela, mas, quando trocamos as primeiras palavras, parecia que nos conhecíamos há muito tempo. Meu coração começou a sentir algo forte, que há tempos eu não sentia.

Seria uma nova paixão, neste coração duro e enferrujado? Seria uma grande amizade que estaria nascendo?

Cada momento conversando com ela, eu me sentia mais atraído, a cada palavra que eu ouvia da voz dela, meu corpo ia amolecendo, meu sorriso ia se abrindo, como nunca se abriu antes. Eu me sentia jovem outra vez. Não via o tempo passar, quando estava com ela.

Com o passar dos dias, fomos nos abrindo um pro outro, sobre coisas pessoais. As minhas, sei que eram reais, e que normalmente eu não deixava ninguém saber, mas, com ela, tudo parecia tão natural. As coisas dela, eu acreditava, pois ela falava com muita convicção.

Desde o dia em que a conheci, passeia  ter sonhos com ela. sonhos muito reais, como se ela estivesse mesmo ali, ao meu lado, durante cada sonho. Geralmente, ela aparecia em meu quarto, seja pra conversar, seja para apenas olhar, mas eu acordava me sentindo revigorado, como se estivesse novo em folha.

De repente, uma tarde, senti como se meu coração estivesse partido. Aquele sentimento de quando levamos um fora de alguém que gostamos por tanto tempo e finalmente tomamos coragem e nos declarar, e recebemos um "Não". Porém, não havia acontecido anda disso, para eu sentir aquela dorzinha no peito, e aquela vontade de chorar.

Resolvi me deitar. Eram 14h, mas, o ar do dia pareciam ser mais de 18h. Cochilei de tarde, mas, ao acordar, meu corpo não se mexia, eu sentia minha língua como se estivesse inchada, como um defunto no caixão. Meu corpo, eu sentia, mas, não mexia. Não havia como mexer, era como uma das famosas "Paralisias do Sono", quando acordamos, mas, o corpo não reconhece que acordamos.

Estava eu ali, deitado. Meus olhos parados. Meu corpo parado. A aflição, a agonia... Aonde estava a minha energia. Eu sentia que havia uma presença por lá, mas, não sabia se havia mesmo alguém. Comecei a sentir que não estava mais em meu corpo. Em certo momento, comecei a sentir que estava saindo do meu corpo.

Toca meu celular. Sinto como se estivesse "vestindo" minha alma com uma roupa (meu corpo), abro minha boca, meus olhos, aos poucos meu braço esquerdo volta a se mexer, e dou um tapa na minha perna pra ver se ela está lá, e pulo da cama. Era uma mensagem dela...

"Estou com saudades"...

Ao ler aquela mensagem, fiquei intrigado. Eu sentia como se aquelas palavras fossem em tom de deboche. Estavam apenas escritas, mas, era como se eu sentisse que ela mandou aquilo com outra intenção. Meu corpo era escravo dela. Mas, afinal... Será?

Dudjinka

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PORTA CURTAS - Festival do Rio 2009